Hora de fazer uma pausa neste diário. Alugamos um
carro e passamos os próximos dias com nossas famílias, turistando por Punta del
Este, Colônia de Sacramento e Montevidéu.
26/04 - URUGUAPOS – Quinta – Dia 7
Acordamos razoavelmente descansados para o último
dia do trecho de ida da nossa jornada. Seriam 250 km até Montevidéu. No final
deste dia teríamos também companhia, já que nossas esposas (e a filha do
Angelão) viriam de avião para passarmos 4 dias de turista.
A primeira parada foi em José Ignácio, onde
fizemos um retorno para conhecer a ponte redonda sobre a Laguna Garzón. O
horário e a baixa temporada permitiram que tivéssemos a ponte toda para fotos e
vídeos que vocês poderão ver.
Decidimos pular Punta del Este, já que faríamos essa
visita junto com nossas esposas no dia seguinte. Seguimos para Piriápolis,
subimos o Cerro Santo Antônio para uma vista espetacular da cidade, do mar e do
continente. Saímos da Ruta 9 para a rota Interbalneárea (IB) que liga Punta até
Montevidéu. Estrada muito boa, duplicada e muito tranquila de rodar.
Se não fossem os inúmeros semáforos no final da Ruta,
teríamos chegado a Montevidéu mais cedo, mas ainda eram 16 horas, tempo de
folga. Hora de ligar o GPS, entender o trânsito um pouco desorganizado da
cidade e encontrar o caminho para o hotel. Abastecemos as motos, fizemos check-in
e colocamos as companheiras na garagem para um merecido descanso de 4 dias.
25/04 - URUGUAPOS – Quarta – Dia 6
Saímos do hotel por volta das 9 da manhã. Tiramos
fotos debaixo das placas de divisa com a República Oriental do Uruguai e poucos
km após a fronteira chegamos ao posto de aduana. Hora da verdade.
Procuramos a fila do guichê de imigração. Surpresa
boa: não tinha fila. Passaporte carimbado e um boa viagem recebidos em menos de
30 segundos. Fomos então falar com o pessoal da fiscalização e vigilância
sanitária, perguntamos: querem ver os documentos? Responderam: Fizeram carta
verde? Mal concordamos com a cabeça e recebemos mais um boa viagem. Pronto. Estávamos
pimpões e autorizados a entrar de moto na antiga Cisplatina.
A distância entre a cidade de Chuí e o nosso
destino, a Vila de La Paloma, era de apenas 160 KM, mas hoje era dia de
turismo.
Os primeiros quilômetros da Ruta 9 foram
estranhos, pois a estrada era praticamente igual, a paisagem era a mesma e as
pessoas muito parecidas. Mesmo assim sabermos que estávamos em outro país tudo
parecia meio assim, alienígena.
Mais uns quilômetros rodados e de repente a
estrada simples dobra em largura e um número gigante está pintado no chão, a
estrada se transforma em uma pista de pouso, assim, sem mais nem menos, sem
aviso. Aparentemente a força aérea uruguaia usa o trecho para pouso de
aeronaves em ocasiões especiais.
Logo após a pista de pouso/decolagem chegamos ao
forte Santa Teresa, erguido pelos portugueses na tentativa de manter aquelas
terras sob seu domínio. Vejam as imagens, a fortaleza é muito grande, muito
bonita, numa posição estratégica, conhecemos cada sala, cada detalhe. Valeu
muito a pena.
Seguimos estrada e chegamos pouco depois até Punta
Del Diablo. Punta é um apêndice de terra que vai do continente em direção ao
mar, apenas uma rua principal asfaltada e uma bagunça de vielas construídas em
cima da terra e da areia até a praia. Era por volta de 11h30, e tudo na cidade
parecia estar dormindo ou abandonado. Na prática, lá é um lugar noturno e fora
de temporada a quantidade de pessoas diminui drasticamente. Frequentada por
muitos mochileiros e pessoal alternativo, se tivesse que usar uma palavra para
descrever Punta Del Diablo, a palavra seria legalize.
Hora de pegar a Ruta 10, uma estradinha de acesso
muito estreita, porém quase não utilizada fora de temporada. A estrada estava
em obras e logo nos vimos pilotando nossas motocas em cascalho solto, o famoso loose gravel, rípio. Apesar de a moto balançar de um lado para o outro, foi muito
divertido e superamos este trecho sem percalços.
Antes de chegar em La Paloma, paramos no bairro de
Arachania. Lá visitamos minha prima que deixou o calor da Bahia e trocou as
tartarugas marinhas do Tamar para trabalhar na ONG para a conservação de
cetáceos no Uruguai. Resumidamente, cetáceos são mamíferos marinhos. Entendeu,
né? Mayra, Stela e Kauai nos receberam da melhor forma, com arroz, feijão com
carne, tomate e farofa.
Felizes e de barriga cheia, fizemos um passeio
pelo bairro e pela praia local, onde pudemos notar a simples e prática forma
das casas de veraneio. Este bairro também estava bem vazio por causa da baixa
temporada.
A jornada terminou por volta de 17h30 (lembram que
a princípio eram apenas 160 km? Pois é). Check-in no hotel, passeio em La Paloma
para ver o farol, jantar e cama.
24/04 - URUGUAPOS – Terça – Dia 5
Dia de chegar no ponto mais ao sul do Brasil,
Chuí. Mesma rotina, café, malas na moto, check-out, estrada.
Abandonamos a BR-116 e fomos pela BR-471. Após
mais ou menos 50 km de jornada, adentramos a reserva ecológica do Taim. Seriam
200 km de uma estrada solitária, com pouquíssimos usuários, postos de gasolina
a cada 60 km e uma reta interminável.
A reserva do Taim é sim muito bonita, a estrada
corta os pampas alagados e por, estar um pouco mais alta, permite que você seja
agraciado com belas paisagens, alagados e pastos; vacas, capivaras e muitas
aves eram os únicos companheiros de viagem. Às vezes podíamos observar uma
mancha preta no acostamento, que quando chegávamos mais perto se víamos o que
realmente era: incontáveis passarinhos, todos pequeninos que ficam no acostamento
comendo os grãos que caem dos caminhões durante o transporte. Em alguns vídeos
vocês poderão ver essa revoada, mas dada a lente angular da câmera, os pássaros
vão parecer pequenos e em menor número.
Em nossa última parada antes de chegar ao Chuí, em
um dos únicos postos de gasolina da região encontramos 4 ciclistas italianos. Os
corajosos começaram a jornada pela América do Sul na Colômbia há 1 ano e meio e
estavam subindo o Brasil sentido Rio de Janeiro. Temi pelas bikes e pela
segurança dos paisanos, desejamos muito boa sorte a eles.
Chuí, enfim. Hotel, check-in e logo saímos para conhecer
a cidade que divide o Brasil do Uruguai. Praticamente apenas a avenida
principal da cidade é asfaltada. A avenida está bem na divisa, de um lado
chamada de Av. Uruguai é o lado brasileiro. O lado uruguaio era Av. Brasil.
Fizemos o câmbio e fomos conhecer um free shop. O
engraçado do Chuí é você andar na rua de terra, pular a poça d’água, correr do
cachorro, dar a volta do carro canibalizado na calçada, desviar do motoqueiro
que passa como louco de havaianas e sem capacete e então entrar em um free shop,
que parecia mais uma loja de departamento norte-americana, tudo limpinho, bem
iluminado, música de elevador e muita, muita coisa para o capitalista
consumista fazer a festa sem pagar impostos. Como bom mineiro, comprei doce de
leite.
Hora de voltar para o hotel, descansar e preparar
para a fronteira e aduana no dia seguinte. Será que tudo vai dar certo?
23/04 - URUGUAPOS – Segunda – Dia 4
Ficamos hospedados na casa da família de um nos
integrantes de nosso grupo. Como é bom ficar em casa de família! Apesar de
momentos de timidez e falta de intimidade, é surpreendentemente bom sentir que
as pessoal realmente se importam com o seu bem-estar. Obrigado, dona Célia,
Leandro, Rose.
O destino do dia era a cidade de Pelotas. A
princípio, 270 km não parecia ser muito, e mais uma vez não confiamos apenas na
quilometragem; o Google Maps bem que avisou que leva-se em média 4 horas para
fazer este trecho.
Saímos de Porto alegre por volta de 9 da manhã,
passamos na famosa ponte do Guaíba e depois pela Ilha das Flores (lembram do
filme?). Poucos quilômetros após este trecho a estrada deixa de ser duplicada e
passa a ser uma pista simples abarrotada de caminhões e o asfalto com mais
remendos do que uma pavimentação propriamente dita.
Nossas motos são Custom e famosas por não terem
uma das melhores suspensões dentre todas as motos. Por causa do comando
avançado também não conseguimos ficar em pé na moto, para descansar a bunda ou
mesmo aliviar que o balanço do asfalto cansasse a coluna.
Se alguém pergunta, então por que vocês andam de
Harley? Porque não é uma moto visada por bandidos, não quero ter que me
preocupar se olhar pelo retrovisor e encontrar dois caras em uma moto. Outro
motivo é que amamos estas motos, simples assim. São barulhentas, difíceis de
manobrar, pesadas, motor exageradamente forte com muito torque e beberronas. São
perfeitas.
Voltando à estrada, os remendos continuavam, os
caminhões também e a paisagem não ajudava, não era um trecho bonito. Angelão
também tinha outro motivo para estar odiando este trecho em particular da
jornada no dia anterior ele começou a sentir um incômodo em seu capacete, que
se tornou uma dor de cabeça com momentos que tornavam o uso do capacete
insuportável. À medida que parávamos para descanso, também retalhávamos o
isopor e o revestimento interno do capacete, procurando encontrar o ponto de
incômodo e conseguir algum alívio.
Chegamos em pelotas e não tivemos dúvida: fomos
direto para uma loja de acessórios de moto, onde ficamos um bom tempo para
escolher e testar um capacete que resolvesse o problema do Ângelo. Problema
resolvido, era hora de ir para o hotel, check-in, e depois procurar um bar para
comer uma carninha dos pampas acompanhando uma Polar (só uma, porque ô cerveja
ruim!).
22/04 - URUGUAPOS – Domingo – Dia 3
Fomos abençoados pela chuva da noite anterior.
Essa chuva lavou a famosa neblina matinal da região e pegamos a estradinha para
a serra. A combinação de nossas cores primárias, azul, verde e cinza, agora
tinha uma nova tonalidade, o amarelo das árvores que já começavam a perder as
folhas anunciando o outono. Imagem difícil de ver no Brasil.
O trecho do dia era mais puxado, 400 Km, mas com
uma estimativa de 6 horas, dadas a velocidade das pistas e trechos urbanos. O
que demorou para passar mesmo foram os primeiro 53 km, até o mirante da serra
do rio do rastro, parece que foram duas horas. A estrada sinuosa que ia
lentamente elevando nossa altitude, não fazia frio, uns 15 graus, com sol,
tempo perfeito.
Chegar ao topo da Serra do Rio do Rastro e olhar
para baixo realmente não há como descrever a sensação. Espero que as imagens
possibilitem que vocês, leitores, encontrem suas próprias palavras. Boa sorte,
eu ainda não as encontrei.
Enquanto não encontrava palavras, fizemos vídeos e
fotos, até da Marilu, o dia era para ser
registrado, cada momento ali valeu. Realizamos o nosso e o sonho de muitos
motociclistas, havíamos pilotado numa das estradas mais bonitas do mundo.
Depois de tanto turismo, hora de pegar estrada
sentido Criciúma e depois Porto Alegre para o fim de mais um dia de jornada.
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